quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Ilha Grande, Rio de Janeiro


Praias, trilhas, mergulho: leia mais para saber o que visitar e onde se hospedar



Com quase 200 km², a Ilha Grande que dá nome à baia é uma das maiores do Brasil. Na costa que dá para o oceano, conhecida como Mar de Fora, as águas azuladas sempre agitadas reservam praias que entram fácil nas listas das melhores faixas de areia do Brasil, como Aventureiro, Parnaioca e Lopes Mendes. Sem opções de hospedagem, exceto campings improvisados, é a versão mais isolada da região. Já o Mar de Dentro, voltado para o continente, é completamente diferente, com quase cem praias de águas mais escuras e abrigadas. É ali que o visitante encontra pequenas enseadas e mar convidativo.


Piscinas em Ilha Grande (foto: divulgação)

Por se tratar de pontos extremamente opostos, é fundamental planejar a viagem de acordo com os seus interesses. A Vila do Abraão é a sede da Ilha Grande, onde está a maioria das opções de hospedagem, além da concentração de comércio, como restaurantes e operadoras de turismo. É no cais da vila que chegam as embarcações de Angra dos Reis – sempre lotadas de turistas.

Mas o melhor fica do lado oposto do Abraão, em Araçatiba, a maior enseada de toda a Ilha Grande. Voltada para o continente, é abrigada e tem as opções de hospedagens mais rústicas. Se no passado aquele pedaço de terra foi o porto seguro do Ciclo do Ouro por sua posição estratégica, atualmente é partida de passeios que fazem a gente nem se lembrar da muvuca em volta do Abraão.

É ali que os viajantes praticam snorkel na Lagoa Verde (com piscinas naturais rodeadas por rochas), visitam a Praia Grande de Araçatiba, famosa por sua igrejinha na areia e fazem mergulho em costões rochosos da vizinha Araçatibinha, em meio a tartarugas.


Ilha Grande (foto: Eduardo)

Na Enseada do Sítio Forte, cujo pôr do sol entre serras costuma paralisar quem se hospeda por ali, montanhas abraçam praias minúsculas de águas mornas e sem ondas como a Passaterra.

Em seu vilarejo de apenas 50 moradores, Passaterra tem uma comunidade de descendentes japoneses que trabalharam na indústria pesqueira da região. Por ali não é raro se hospedar em pousadas que funcionam em antigos galpões da época, como a Maria Bonita, das famílias Hadama e Uehara. Em funcionamento desde 1990, é uma pousada simples, com 31 suítes e um restaurante pé na areia, com acesso direto para a praia, onde é possível praticar caiaque e stand up paddle (R$ 25/h). “Aqui o turismo é mais seletivo, não é fácil chegar”, conta a proprietária da pousada, Hatsuko Uehara Hadama, instalada no galpão da antiga Indústria de Pesca Bom Gosto.

Dali, passeios exclusivos seguem para a Lagoa Verde, praia de Lopes Mendes e a Ilha da Gipoia, onde fica a famosa Praia do Dentista (ou Jurubaíba para os mais tradicionais). O isolamento da região e a escassez de transporte direto do cais de Angra garantem uma circulação menor de visitantes e dose elevada de exclusividade nessa porção da baía.


Ilhas Botinas (foto: divulgação)

E quanto mais distante, mais perto de experiências que parecem tiradas de livros de aventuras. Localizada ao lado da Enseada de Araçatiba, na Ponta do Acaiá, a Gruta do Acaiá é uma fenda estreita que segue até o nível do mar, onde uma lagoa interna ganha tons de néon devido à incidência da luz solar. É necessário andar de cócoras pela trilha até o anfiteatro que dá acesso a uma piscina natural com rochas sobrepostas, terminando no mar. É deslumbrante!

Onde se hospedar em Ilha Grande?


Maria Bonita
Pousada simples à beira-mar, na Praia de Passaterra. Oferece aluguel de stand up paddle, caiaque e equipamento de mergulho. Diárias a partir de R$ 330, com transfer de Angra, pensão completa e passeios.

Nautilus
Pousada bem equipada com chalés para até seis pessoas na Praia de Jaconema. Oferece passeios náuticos, saídas de mergulho, caiaque e trilhas. Diárias a partir de R$ 720, com transfer de Angra, refeições e passeios.

Naturália
Pousada em área tranquila da Praia do Abraão, com 12 suítes de frente para o mar e rodeadas de Mata Atlântica. Tem serviço de massagem e chá da tarde.

Trilhas e mergulho em Ilha Grande


A Ilha Grande é destino também de trilheiros que chegam a áreas isoladas, inacessíveis pelos barcos. São 16 trilhas oficiais ao longo de cem quilômetros que levam a praias e endereços históricos, a partir de localidades como Araçatiba, Bananal e Abraão. As opções vão de caminhadas leves, como a T4, que passa pela Lagoa Azul e a Igreja do Divino Espírito Santo, a trekkings puxados como a T8 (quase cinco quilômetros de caminhada íngreme, entre Enseada de Araçatiba e Praia de Provetá). Seja qual for seu nível de preparo físico, só não dá para evitar a trilha que vai da Praia do Pouso até a popular Lopes Mendes (T11). Em pouco mais de 30 minutos, é possível chegar a essa praia de quase três quilômetros de extensão, eleita uma das mais belas do mundo (mas que pode frustrar quem chega em dias nublados).


Mergulho na fenda da Ilha do Jorge Grego (foto: divulgação)

Mas é alguns metros abaixo da superfície que a Ilha Grande mostra uma versão ainda mais impactante de sua beleza. São ao menos 50 pontos de mergulho e 14 naufrágios mapeados e mergulháveis. Para quem é iniciante ou quer fazer um mergulho de batismo, o amigável Mar de Dentro é o melhor ponto, com áreas costeiras de menor profundidade e mais tranquilas. Já o lado de fora tem mergulhos profundos e mais correnteza. E para não perder nenhum deles, a ilha é destino do Enterprise, um catamarã com oito cabines e pensão completa. Esse liveaboard, como são chamados os barcos exclusivos para mergulhadores credenciados e acompanhantes, explora durante três dias pontos de mergulho nas regiões de Paraty e Ilha Grande. O Enterprise é daquelas embarcações com equipe que não se entrega fácil às dificuldades das operações mais complexas. Para garantir as melhores experiências, faz o que é preciso, como os mergulhos na complexa fenda da Ilha do Jorge Grego, onde não há ponto de ancoragem e o mar costuma ser mais agitado.

Trata-se de uma imensa rachadura em um paredão profundo e com a maior concentração de vida marinha de toda a ilha – pode-se mergulhar até o final dela e dali subir à superfície do interior daquela lança rochosa. A partir de então, caro leitor, cada um administra a emoção como puder. “Esse é o melhor ponto de mergulho de toda a Ilha Grande. E entre todas as costeiras e enseadas da Ilha do Jorge Grego, a fenda é o melhor”, define Tatiana Melo, instrutora da escola Captain Dive e guia em Ilha Grande há 18 anos.

CURIOSIDADE: Antiga prisão

Sabia que o turismo na Ilha Grande só começou a se desenvolver a partir de 1994, com o fechamento do Instituto Penal Cândido Mendes? As antigas estruturas resistem ao tempo e ao descuido, em endereços como o Lazareto, área antes usada para isolamento de pessoas com doenças infectocontagiosas, na Vila do Abraão, e o temido Cândido Mendes, em Dois Rios, que encarcerou presos políticos como Graciliano Ramos, Madame Satã e Fernando Gabeira.


Aqueduto do Lazareto (foto: divulgação)

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